sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

O plasma da diversidade



Fonte: Sociedade Racionalista
Autor: Thiara Tezza

Em alguns momentos derivados, estamos acostumados a ver a quantidade de xingamentos, oposições, deliberações e contratos contra a causa homo afetiva. Esteja ela consumada, visualizada, personificada ou com causas designadas. Atualmente a proliferação dessa atitude de negação advém, em principal, pelo fundamentalismo, seja religioso – mais comum – ou moral.

Representantes como Magno Malta, dentro do senado, Silas Malafaia, religioso convicto – assim como Valdomiro Santiago – entre outros, escondidos ou não nas presenças políticas (das diversas formas com as quais ela se abrange), tentam por todos os lados jogar fogo nas bordas de uma causa incendiável: a causa gay. Explico.



Desde os primórdios dos tempos, o que existe sobre relatos à homossexualidade – seja na Grécia Antiga, seja em Sodoma e Gomorra – está terrivelmente atrelado à promiscuidade. Necessariamente, por todas as vezes mencionados, uma pessoa condizente ao movimento se verá sendo vitima de preconceito por essa vertente. E o movimento, que é água, se adaptou à pedra ao invés de movê-la fora do curso que não pertence a si. Diversos casais homo afetivos – pela visibilidade a que se expõem em lugares agraciados pela sua preferência – são alvos de um comprometimento leviano; alvos da necessidade do outro, do novo, da companhia. Do direito promíscuo que somente a hetero-convivência detém. Um assunto pra outra hora…

A mídia corporativa, em todos os graus, se diz voltada à família. Novelas, séries, transmissões, notícias e amontoados da gelatina social problemática, entre violência e auto despejo, que detém o desejo de manter olhos sobre o que tem a dizer. A regra básica que a “oferta e procura” joga é implícita neste meio: obtém-se pontos percentuais favoráveis ao que se deseja ver. E, neste contraponto, detenho outro teor. Se as recentes pesquisas a nível de esclarecimento homofóbico tratam deste enfermo como alguém que “discretamente partilha dos mesmos anseios a que se dispôs um assumido gay”, temos a PRECISÃO não da diversidade, mas da saciedade indireta do expectador. É nesse corredor estreito que caminha a correlação entre “aceitação” e “exibicionismo”, já que não há outro fator além da desculpa munida de classificação etária indicativa ao que, socialmente, está explícito. O que vemos atualmente é um emaranhado de cosmos, gritando sua aderência à boa causa, que nem sempre cumprem o proposto pela igualdade na diferença. Rousseau afirmava em um dos seus textos – bem colocado por Jacques Le Goff – nas entrelinhas contratualistas: “Não são os erros do método, mas os vícios bem fundamentados”.

Logo, estamos num contrassenso típico da hierarquia social com respostas prontas no micro-ondas: a família preservada na mídia não corresponde à família detida nos entraves convencionais. Temos, portanto, que sua credibilidade está corrompida; porém, esta mesma mídia que, necessitada de adesão, expõe o outro lado do que ocorre ao incluir a homossexualidade na sua programação, é agora, pestiada por informações à contra regra do fundamentalismo moral. E, nesta porta mal aberta, entram os líderes de diversas palavras, condenando tudo que não convém ao tradicionalismo.

Precisamos nos deter mais na cultura da informação, não das pessoas. Assim como precisamos prover mais o conhecimento de pessoas, e não de mídias. E, nesta mesma proporção, a mídia é fundamental para estruturar a informação. São cursos, mas cursos cíclicos. Como os nômades do Nilo, que andavam semeando o tempo nas proximidades e nas cheias de seu sustento. Nós somos, todos os dias, os evoluídos em evolução; respeito, por bases teóricas, é completamente antagônico ao receio moral de respaldo tradicionalista.

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